Ótimo texto! Sou pesquisadora de tradução e é muito bom ver alguém que se atenta ao textos traduzidos e não apedreja os pobres profissionais. Em relação à tradução das cartas, pode até ter sido uma decisão editorial... Algumas editoras colocam como regra não usar palavrões nas traduções.
Olha, eu entendo a tradução como um outro texto, que precisa existir para além do "original"... A interferência sempre existe, independentemente do banimento de palavras ou não, pois a tradução é também uma prática de leitura e interpretação. Assim, "olhos" de quem traduz estão sempre interferindo, mediando, manipulando (e está tudo bem!). Para mim tradução é transformação. Sobre isso, recomendo a leitura do artigo "Dificuldade de origem", de Marcos Siscar.
O trabalho em edição editorial é um sem fim de detalhes e opções. Editar uma publicação é decidir... Não reclamo da minha profissão, essa que às vezes é tão exigente e cansativa.
Uma das vantagens é que a idade cai bem a quem nela trabalha... :))
Ótimas considerações sobre o trabalho da tradução… É um ofício que está no meu radar, apesar das ameaças da IA etc. Mudando de assunto, tou torcendo pra conseguir estar no encontro de Memórias do subsolo, que tou lendo para a faculdade. Beijo
No caso da tradução da Mariana Carpinejar, publicada pela Record, você não ficou em dúvida se as escolhas seriam da tradutora ou da editora, ou mesmo de quem fez a preparação? "Qualquer virtude ou mazela da tradução também deve ser vista como um problema de edição.", né? ;) A minha aposta -- ou melhor, suposição -- é que tem dedo de editor(a) aí. Um abraço!
Adorei a reflexão! Como tradutora, concordo que é sempre bom ir além dos superficiais "boa" e "ruim" para falar de um trabalho (ainda, felizmente) humano. Os elementos que você destacou também me incomodariam, e como fruto de decisões editoriais/mercadológicas/pessoais, sempre podem agradar ou desagradar. Mas no momento que a tradução deixa de ser mediação e se coloca como empecilho para a fruição da leitura, ela deixa de cumprir sua função, o que é tão perturbador quanto preocupante. Felizmente o ato de traduzir nunca se esgota e, salvo as amarras contratuais, em tese, podemos sempre esperar que um texto castigado por uma tradução que não lhe fez jus seja salvo pela próxima. Abraço!
Creio que muita gente fala mal da tradução como um cacoete. Querem dizer algo sobre uma leitura e não sabem muito o que dizer, daí tacam o mensageiro no fogo.
Achincalhar um trabalho técnico, como o de tradução de literatura, é fácil. Difícil é fazê-lo melhor, não depois de publicado, mas no ritmo da editora.
Realmente é uma discussão complexa. Sobre a questão de “suavizar a linguagem”, reparo muito isso na legendagem. Em séries como El Marginal (e sua derivada En El Barro), por exemplo, as legendas em português apagam muito do ritmo dos diálogos e do colorido dos personagens.
Pois é. No caso de legendagem tem mil outros fatores que guiam a tradução das legendas. Mas uma coisa te garanto, a chance de essa "suavização" NÃO partir do tradutor ou da tradutora é bem grande. Pelo contrário, muitas vezes eles ficam bem frustrados.
Obrigado, Amanda. Não vou elencar nomes por aqui para não ser injusto com eventuais omissões, mas deixarei a pergunta na manga para, quem sabe, virar outra edição da news, tá?
Ótimo texto! Sou pesquisadora de tradução e é muito bom ver alguém que se atenta ao textos traduzidos e não apedreja os pobres profissionais. Em relação à tradução das cartas, pode até ter sido uma decisão editorial... Algumas editoras colocam como regra não usar palavrões nas traduções.
Obrigado, Maju. Como disse, toda decisão da tradução é também uma decisão do editorial.
Editora banir certas palavras, como palavrões, me parece interferência na obra original, não?
Olha, eu entendo a tradução como um outro texto, que precisa existir para além do "original"... A interferência sempre existe, independentemente do banimento de palavras ou não, pois a tradução é também uma prática de leitura e interpretação. Assim, "olhos" de quem traduz estão sempre interferindo, mediando, manipulando (e está tudo bem!). Para mim tradução é transformação. Sobre isso, recomendo a leitura do artigo "Dificuldade de origem", de Marcos Siscar.
O trabalho em edição editorial é um sem fim de detalhes e opções. Editar uma publicação é decidir... Não reclamo da minha profissão, essa que às vezes é tão exigente e cansativa.
Uma das vantagens é que a idade cai bem a quem nela trabalha... :))
Pelo menos uma vantagem rs
Ótimas considerações sobre o trabalho da tradução… É um ofício que está no meu radar, apesar das ameaças da IA etc. Mudando de assunto, tou torcendo pra conseguir estar no encontro de Memórias do subsolo, que tou lendo para a faculdade. Beijo
Valeu, Paula! Espero que consiga participar do encontro :) Bj
Rodrigo, fiquei com uma dúvida:
No caso da tradução da Mariana Carpinejar, publicada pela Record, você não ficou em dúvida se as escolhas seriam da tradutora ou da editora, ou mesmo de quem fez a preparação? "Qualquer virtude ou mazela da tradução também deve ser vista como um problema de edição.", né? ;) A minha aposta -- ou melhor, suposição -- é que tem dedo de editor(a) aí. Um abraço!
Não sei de quem foi a opção, Bárbara, mas deve sim ser vista como uma escolha compartilhada. Abração
Adorei a reflexão! Como tradutora, concordo que é sempre bom ir além dos superficiais "boa" e "ruim" para falar de um trabalho (ainda, felizmente) humano. Os elementos que você destacou também me incomodariam, e como fruto de decisões editoriais/mercadológicas/pessoais, sempre podem agradar ou desagradar. Mas no momento que a tradução deixa de ser mediação e se coloca como empecilho para a fruição da leitura, ela deixa de cumprir sua função, o que é tão perturbador quanto preocupante. Felizmente o ato de traduzir nunca se esgota e, salvo as amarras contratuais, em tese, podemos sempre esperar que um texto castigado por uma tradução que não lhe fez jus seja salvo pela próxima. Abraço!
Gracias pela contribuição para a conversa, Luiza!
Excelente, os exemplos foram bem escolhidos tb.
Creio que muita gente fala mal da tradução como um cacoete. Querem dizer algo sobre uma leitura e não sabem muito o que dizer, daí tacam o mensageiro no fogo.
Obrigada!
Valeu, Ana. Também tenho a impressão de que isso acontece.
Suas ponderações são tão bem-vindas nesse universo de achismos que vc nem faz ideia! Parabéns 👏
Muchas gracias, Livia!
Achincalhar um trabalho técnico, como o de tradução de literatura, é fácil. Difícil é fazê-lo melhor, não depois de publicado, mas no ritmo da editora.
Realmente é uma discussão complexa. Sobre a questão de “suavizar a linguagem”, reparo muito isso na legendagem. Em séries como El Marginal (e sua derivada En El Barro), por exemplo, as legendas em português apagam muito do ritmo dos diálogos e do colorido dos personagens.
Nossa, Erika, na legendagem a coisa é mesmo pesada. Às vezes dou até risada de como esvaziam o significado de muitas expressões.
Pois é. No caso de legendagem tem mil outros fatores que guiam a tradução das legendas. Mas uma coisa te garanto, a chance de essa "suavização" NÃO partir do tradutor ou da tradutora é bem grande. Pelo contrário, muitas vezes eles ficam bem frustrados.
Muito bom. Quais são os tradutores cujo trabalho é consistentemente excelente e que você recomenda? (Como Maurício Santana Dias, por exemplo...)
Obrigado, Amanda. Não vou elencar nomes por aqui para não ser injusto com eventuais omissões, mas deixarei a pergunta na manga para, quem sabe, virar outra edição da news, tá?